Existem ursos silvestres no Brasil?

Rodrigo Jose 



Os ursos compõem a família Ursidae de ordem Carnivora, mais precisamente a subordem Caniformia que reúne também canídeos. Eles podem variar no tamanho, com espécies espalhadas por boa parte dos continentes da Terra. Nas Américas existem algumas espécies como o urso-pardo e o simpático urso-de-óculos, a única espécie em solo sul-americano. São animais muito bonitos, interessantes e que figuram bem nos clássicos animais de pelúcia, presentes na infância de muita gente.

No Brasil existe um urso muito especial: temos o urso-formigueiro, mas conhecido como tamanduá-bandeira. Isso mesmo. Nos países vizinhos, ele recebe esse nome, na tradução para o espanhol oso-hormiguero. No entanto, apesar das semelhanças que existem entre os ursos e os tamanduás, filogeneticamente os tamanduás não são parentes dos ursos, ou seja, não são do mesmo grupo próximo, a família dos ursídeos. Como isso pode ser?
 

Primeiro podemos abordar um pouco sobre filogenética. Na biologia, a filogenética trata da relação evolutiva entre grupos de seres vivos através das sequências de códigos genéticos, como o DNA. Assim os representantes de seres vivos são organizados em grupos geneticamente semelhantes. Essas organizações formam clados, que ao serem agrupados, constituem arranjos que lembram galhos e que vem a formar a árvore da vida. E essa estrutura é viva! Isso quer dizer que ela pode ser reorganizada em decorrências de novas descobertas ou mais esclarecimentos sobre os seres vivos ao longo do tempo. Esses estudos podem ainda combinar a geografia, por meio da filogeografia que estuda a distribuição geográfica de linhagens genealógicas e os fatores que as determinam. Para saber mais sobre o tema, de forma mais interativa, visite o site sobre Evolução da USP e mais precisamente essa página sobre Árvore da Vida.


Os estudos filogenéticos!
Nesse sentido, do ponto de vista filogenético eles são muito distantes, quando comparados dentro do grupo maior do qual fazem parte, os mamíferos. Dessa forma, sobre o parentesco evolutivo, eles estão em caminhos bem diferentes no percurso da história natural. Enquanto tamanduás-bandeira são da família Myrmecophagidae, da ordem Pilosa e estão mais próximos a tatus e preguiças, os ursos têm proximidade maior com carnívoros, a exemplo de lobos, como mencionado antes. Entretanto, em países latino-americanos as pessoas chamam os tamanduás de ursos. Isso porque eles realmente têm algumas semelhanças morfológicas. A seguir algumas características nas quais esses animais se parecem.

Ao se alimentar, eles têm comportamento parecido, em movimentos mais pausados, com exploração do local, quando podem vir a correr, o que nos permite fazer alguma associação de semelhança. No caso dos ursos que reviram troncos e outros recursos em busca de alimentos, tamanduás exploram formigueiros e cupinzeiros na natureza. Além disso, ursos e tamanduás se dão muito bem na água. Seja para se alimentar -  ursos nos rios de água corrente - ou para banhos em poças - tamanduás costumam tomar banhos e atravessam rios a nado com tranquilidade. Eles também são muito peludos, sendo que no caso dos ursos mais escuros e de tons mais marrons, as semelhanças são mais evidentes. Em relação às patas posteriores (as patas de trás) mais semelhanças: elas são muito parecidas, com a presença de unhas evidentes, em formato arredondado, inclusive nos rastros.


Então, popularmente não está de todo errado chamar os tamanduás de ursos. Isso representa um pouco como as pessoas podem se relacionar de forma benéfica com animais silvestres, do ponto de vista mais cultural, nas percepções etnobiológicas. Da mesma forma existem animais semelhantes a tamanduás, espécies que vivem na África e Ásia e que são chamados de tamanduás, mais precisamente tamanduás de escama mas que, por sua vez, não tem parentesco com os tamanduás das Américas: são os curiosos pangolins. As semelhanças entre esses animais são muito grandes, vão desde a forma corporal a alguns comportamentos, mas nesse caso temos um exemplo de convergência evolutiva. Por isso é tão interessante estudar os animais, a natureza.

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