Estudar animais por meio de rastros

Rodrigo 

Acompanhar animais silvestres é uma tarefa que necessita de cuidados, principalmente quando eles são mamíferos. Para isso, uma das alternativas está no estudo de rastros, que permite monitorar a presença desses animais de vida livre. Porém, trabalhar com indícios assim não é uma atividade tão fácil, pois demanda muita percepção e análise. Dessa maneira é importante a realização contínua da atividade e considerar o aprimoramento das técnicas associadas.

Os primeiros registros realizados pelo nosso grupo de estudos não foram com muita qualidade, mas foram importantes para entender e aperfeiçoar as técnicas. Havia registro sem referência métrica, mas que possibilitou detectar a presença de espécies nos locais. Após isso, outros registros foram feitos, com mais detalhes. Desde o começo também houve muitos avanços: equipamentos de maior qualidade, mais fotografias e a combinação de ferramentas a fim de melhores resultados. É uma atividade que envolve campo, análise in loco, anotações, organização, consultas e outras formas de estudo. A seguir um dos primeiros rastros realizados do mascote da organização.
Mas por que é importante usar métricas?

Através de uma referência de medida é possível perceber mais detalhes do animal e estimar por exemplo a faixa etária, uma idade aproximada. Além disso, fica mais fácil perceber variações dos rastros de uma espécie, bem como as semelhanças e diferenças de cada grupo com o uso de uma escala. Em relação a tamanduás, a dimensão do rastro é importante para identificar se é um tamanduá-bandeira ou tamanduá-mirim com outros detalhes a considerar em cada averiguação.

Para estudo com rastros também é importante ter a localização para que possam ser feitos estudos de biogeografia e distribuição natural, seja em micro ou macro região. Com esses dados é possível avaliar a presença de animais, sondar os riscos e outras questões relacionadas ao local identificado. Nesse sentido, a probabilidade de perigo vai desde a presença de rodovias próximas, com possibilidade de atropelamento, à ocorrência compartilhada com animais domésticos, que pode proporcionar ataques ou a transmissão de doenças, por exemplo.

Entretanto, nem sempre os rastros ficam bem impressos, ou seja bem fixados e definidos em solo. Isso porque pode acontecer de ficar parte impressa, ocorrer alguma falha. Isso pode ser em decorrência da composição superficial, da compactação do solo, da presença de folhas, umidade, mudança na direção da trilha realizada pelo animal, dentre outras razões. Nessas situações entram as análises mais elaboradas para colaborar numa melhor identificação. Ainda assim, é importante considerar as limitações que cada registro possui e perceber quando uma identificação mais refinada não é possível.
  

Por tudo isso, tem muitos cuidados importantes para quem quer atuar ou usar esse tipo de técnica nos estudos e trabalhos. Como citado, é fundamental usar uma escala de referência, de preferência uma régua ou trena, que fornece os centímetros associado ao encontrado. No caso de registrar em fotografia, é importante posicionar o equipamento fotográfico de maneira paralela ao rastro, para evitar maiores distorções possíveis de acontecer de acordo com o equipamento. A ausência desse cuidado pode gerar grande imprecisão sobre o real tamanho do rastro. Com uma escala, cuidados e um pouco de atenção podemos entender mais sobre a natureza dos animais.

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