Desmatamento no Cerrado

Equipe Jua Julia, Larissa, Luíza, Murillo, Myllena, Polônia


O Cerrado brasileiro é um bioma que se destaca por duas grandes questões ambientais: ser um hotspot de biodiversidade e ser um “berço de águas”. Hotspots são áreas que abrigam grande número de espécies endêmicas, ou seja, espécies que só ocorrem naquela região, mas encontram-se em ritmo acelerado de degradação e por isso são prioritárias para conservação. No caso do Cerrado, são mais de 4,6 mil espécies de plantas e animais exclusivas.

Já o fato de ser o “berço das águas” no Brasil se deve à presença de quase 20 mil nascentes no Cerrado. Essas nascentes são responsáveis por alimentar 6 das 8 bacias hidrográficas brasileiras, o que afeta 88,6 milhões de pessoas (só no Brasil). Apesar de toda essa importância, o Cerrado já perdeu 46% de toda a vegetação nativa. Apenas 20% permanece completamente intocado. Diferentemente da Amazônia, a importância do Cerrado ainda não foi reconhecida pelo senso comum, e até mesmo por parte da comunidade científica. Essa visão equivocada resulta na falta de leis que incentivem a proteção desse bioma e de inciativas que o conservem.

Esses fatores aliados ao crescimento do agronegócio e a obras de infraestrutura produzem uma taxa de desmatamento 2,5 vezes maior do que a da Amazônia, mesmo o Cerrado tendo apenas metade da extensão. Em 2019, 33,5% das áreas desmatadas no Brasil, quase um terço, faziam parte desse bioma. Foram 13% dos alertas de desmatamento e 408,6 mil hectares de vegetação destruídos.

A principal região vítima desse desmatamento é conhecida como fronteira Matopiba e abrange Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia (de onde vem o nome). No caso do Mato Grosso, 88% do desmatamento, entre 2018 e 2019, ocorreu de forma ilegal. E desse percentual, 64% é composto por propriedades com mais de 1.500 hectares, o que facilita sua identificação e repressão. Entretanto, a falta de legislação mais severa impede a eficiência desse tipo de ação.

Estudos alertam que a falta de redução dessa taxa de desmatamento pode levar a perda de 34% da área que ainda resta, o que causaria a extinção de 1.140 espécies endêmicas. A extinção de espécies não é a única consequência negativa do desmatamento. A degradação da vegetação do Cerrado também contribui com o efeito estufa fazendo com que ele seja uma das principais fontes de emissão de Gases do Efeito Estufa (GEE) no Brasil. E não apenas isso: 62,1% das bacias hidrográficas são impactadas pelo desmatamento, levando a prejuízo no abastecimento de água.

Referências 

O Cerrado como Hot Spot. Disponível em: https://museucerrado.com.br/ameacas-cerrado;  Acesso: 14 de julho de 2020.

Mudanças Climáticas. Disponível em: https://museucerrado.com.br/ameacas-cerrado/mudancas-climaticas/. Acesso: 14 de Julho de 2020.

Você sabe o que são hotspots de biodiversidade? Disponível em: https://www.pensamentoverde.com.br/meio-ambiente/voce-sabe-o-que-sao-hotspots-de-biodiversidade/. Acesso: 14 de Julho de 2020.

A morte no berço das águas. Disponível em: https://www.ana.gov.br/noticias-antigas/a-morte-no-berasso-das-a-guas.2019-03-15.5276092161. Acesso: 14 de Julho de 2020.

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Comentários

  1. Realmente, o Cerrado é muito neglicenciado. Diferentemente da Amazônia, não há tanta pressão internacional para sua conservação. Além disso, ele já foi entregue pro Agronegócio...
    Parabéns pelo conteúdo! Muito direto e claro, trazendo uma discussão muito importante.

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