Natu 34


Espécie • Jacarandá-do-cerrado (Dalbergia miscolobium
O Jacarandá-do-cerrado ou caviúna-do-cerrado é uma árvore endêmica brasileira, muito comum nos domínios do Cerrado. A espécie pode ser localizada em áreas de formação savânica e nas formações florestais. Ela tem um padrão bem típico do bioma, com tronco torto e casca espessa. Tem também uma folha composta, ou seja, tem vários folíolos (partes menores da que compõem uma única folha). Essa espécie de jacarandá é da família Fabaceae, que dentre outras características tem frutos em forma de vagem, semelhante ao feijão. É comum encontrar fungos, liquens, além de insetos e outros animais, a exemplo das aves em seus galhos.



Na trilha • Tinha umas pedras 
No meio do caminho tinha uma pedra… ou muitas. A poesia de Carlos Drummond de Andrade tem um trocadilho para quem faz trilhas. De pedrinhas, a pedras grandes, numa trilha é possível encontrar muitas, especialmente em solos de afloramento rochoso. Em muitos pontos do Cerrado e da Caatinga as pedras são parte da paisagem, monumentos naturais em cores variadas, com desenhos históricos ou esculpidos pela ação da natureza e formatos bem diversificados. Ao trilhar e contemplar as formações rochosas, vale muito ter cuidado ao circular em ambientes pedregosos, a fim de evitar machucados e acidentes.

A seguir algumas indicações especiais:
- Se for a sua primeira visita, faça com guias com credenciais.
- Tenha cuidado em locais inclinados pois pode deslizar com maior facilidade
- Pedras maiores podem estar soltas, cuidado!
- Tenha atenção a trincados e barulhos em pedras maiores.

Um boa trilha!


Entrevista • Borboletas, educação e natureza por Thayane Silva 
Possui graduação em Ciências Biológicas e experiência na área de Ecologia, com ênfase em Comunidade de insetos, atuando principalmente nos temas Cerrado, interação lagarta-planta hospedeira e biologia de estágios imaturos de lepidópteros. Ela está na Diretoria do Instituto Jurumi, como Diretora Executiva e também é Professora licenciada no ensino básico.


A sua experiência está associada a lepidópteros. O que é mais legal ao estudar esses seres vivos?
Além da beleza de suas cores, a ordem dos lepidópteros é incrível. As borboletas são bioindicadoras de mudanças ambientais por serem fiéis aos seus microhabitats e especialistas em possuir relações ecológicas, como, por exemplo, as plantas. Além de serem importantes para a manutenção da composição, estrutura e funcionamento de áreas.

E o que é mais difícil?
A falta de reconhecimento.

Qual experiência foi um marco nas suas atividades com as borboletas?
Um trabalho de campo com Nymphalidae (uma família dentro da ordem Lepidoptera), no qual tinha algumas perguntas a serem respondidas. Foi um trabalho de captura, marcação e soltura, um trabalho muito interessante na transição entre seca e chuva.

O que pode melhorar nos estudos com insetos?
O processo de ensinar para despertar o interesse e atenção dos estudantes por essa área.

Na sua experiência docente foi possível aplicar ou compartilhar o que estudou sobre insetos? 
Sim. Porque o conhecimento tem que ser passado para todas as idades e os estudantes têm que entender a importância das interações, evolução, adaptação aos ambientes e comportamento animal e só assim compreender a importância de cada animal no ecossistema.

Ao estudar na natureza, quais interações com outros grupos trazem memórias especiais? 
Toda experiência de campo me traz memórias especiais. A natureza, estar na natureza, ter a oportunidade de ver outras interações sejam elas inseto-planta, ou, rastros, mamíferos, enfim todo trabalho em campo tem o meu coração. Nasci para ser bióloga de campo, meu escritório é o Cerrado.



Como é o dia a dia de um borboletário?
O dia a dia em um borboletário é a manutenção do recinto, troca de alimento, cuidar das plantas onde as borboletas vão colocar seus ovos, cuidar das lagartinhas até a sua fase de pupa.

É natural • Camuflagem e mimetismo
Você sabe o que é camuflagem e mimetismo? Para começar, essas são duas estratégias incríveis e diferentes, então cuidado para não confundi-las ao se deparar com elas na natureza, pois afinal, os animais ou plantas que as usam, estão onde você menos espera e onde mal pode percebê-los. 

Agora, para você entender de vez a diferença das duas estratégias, camuflagem é utilizada para que os animais passem despercebidos com o ambiente ao qual se encontram, buscando se assemelhar ao máximo com o solo, troncos de árvores, serapilheira e etc, o importante é ficar escondido, com o fundo sendo outro ser vivo, ou não. Como por exemplo, grilos e gafanhotos em troncos de árvores, periquitos verdes como as folhas das árvores, aranhas como palhas de palmeiras, serpentes como as folhas de serapilheira e por aí vai. A principal função dessa estratégia é permitir que os animais passem despercebidos por seus predadores e consigam se aproximar o máximo possível de suas presas, sem que elas os percebam. A desvantagem, é que o animal fica limitado ao ambiente que ele se camufla, pois, em ambientes diferentes ele será facilmente percebido, se tornando uma presa fácil. O mimetismo, por sua vez, é a habilidade dos animais ou de plantas, de imitar outras espécies de seres vivos de diversas maneiras, como sua forma, cor, odor, emissão de som e etc. Assim, espantando predadores, se aproximando de suas presas, atraindo polinizadores e etc. Um bom exemplo de animais miméticos são filhotes de pássaros que possuem a penugem semelhante a lagartas que possuem pêlos urticantes, evitando assim, serem predados. 

Como percebemos, essas estratégias são usadas para passar despercebido, então caso você não veja algum animal desses e sofra um acidente com eles, tente tirar uma foto do animal se o perceber, se você for alérgico ou o animal for peçonhento, busque sempre a assistência médica o mais rápido possível.


Natu 34 • 16/01/2023 • Jacarandá-do-cerrado (Dalbergia miscolobium) • Redação • Direção: Rodrigo Viana; Conteúdo: Henrique Alexandre; Lívia Malatrasi, Nathália Araújo, Rebeka Câmara; Fotografias: Wellyson Barbosa, Thayane Silva.

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