Natu 33

Com uma enorme diversidade, a família dos cerambicídeos possui cerca de 40 mil espécies descritas. Os besouros cerambicídeos quando adultos possuem um corpo dividido em três tagmas: cabeça, tórax e abdome. Esses besouros se destacam pelo tamanho, em torno de 12 centímetros, alguns ainda maiores. Eles tem um par de antenas bem compridas, que podem ser tão longas quanto o próprio corpo do besouro. Alguns podem ser muito coloridos, formando alguns desenhos externos. Esses animais costumam ser chamados de serra-pau em razão do aparelho mastigador com serras, com capacidade de prensa e cortes.

Os besouros são da ordem Coleoptera (do grego koleos = estojo e pteron = asas) nome associado às asas anteriores endurecidas. São insetos que podem ser encontrados em quase todos os ambientes, animais de grande importância socioambiental, seja pela capacidade de alterações ambientais e de reciclagem de nutrientes, por exemplo. Os besouros formam um dos grupos mais diversos do reino animal. Estima-se que para cada 4 espécies animais no mundo, uma é besouro.

Natu o animal documento nessa edição pode ser da espécie Titanus giganteus pelas semelhanças – uma morfoespécie, ou desse mesmo de gênero, ou ainda de uma espécie ainda desconhecida.

Na trilha • Viva a trilha
Aqui compartilhamos benefícios de se realizar trilhas, sobre tudo que elas tem a oferecer, a importância de contato mais direto com a natureza, tipos de trilha e a sinalização. Talvez essa oportunidade não tenha sido desfrutada próximo da totalidade. Em outras palavras, essa é uma atividade para realizar com tempo, sem tanta pressa. Vamos aproveitar essa época e renovar a experiência de realizar trilha? Para isso tenha mais informações sobre a trilha, antes mesmo de começar. Desse modo você poderá aproveitar mais a experiência. Nessa sintonia, observar os detalhes e orientações de cada trilha, como tamanho, nível de dificuldade, tempo estimado, por exemplo. Observar com atenção as mudanças que aconteceram desde a última vez que esteve – isso para quem volta à mesma trilha. Faça a trilha em outros horários do dia quando possível e colecione momentos especiais. Pegue essa pequena lista:
  • Conheça as informações básicas da trilha
  • Se prepare e vivencie o momento
  • Não vá com pressa e aproveite o trajeto
  • Tente observar os detalhes
Assim, leve animação para trilhar, não deixe seus resíduos por onde passar e viva a trilha!
Entrevista • Animais, plantas e natureza por Alan Pedro de Araújo
Graduado em Licenciatura em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), Técnico em Biocombustíveis pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), trabalhou na área de Entomologia (Ordem Neuroptera) na graduação e tem experiência na identificação de zooplâncton límnico (Iniciação Científica (PIBIC/CNPq). Mestre em Ecologia pela Universidade Federal Rural de Pernambuco - UFRPE e doutorando no Programa de Pós-graduação em Ecologia e Evolução na Universidade Federal de Goiás. Atua na área da herpetofauna com foco no grupo Anura associado a bromélias. Tem interesse em relação interespecífica (ênfase em forésia), comunidade vivente em fitotelmata e comunidade acústica. Atualmente é integrante do Projeto Bromeligenous que visa a conservação de anfíbios de bromélias. Tem interesse em zoologia (em especial entomologia e herpetologia), ecologia e evolução, limnologia e metodologia científica.


O que te motivou a escolher o curso de Licenciatura em Ciências Biológicas?
Como eu nasci e cresci em meio à natureza, aquilo me despertou interesse em querer saber mais sobre as plantas, animais e tudo ao meu redor. Desde pequeno quis ser biólogo.

Como foi trabalhar na identificação de zooplâncton límnico na iniciação científica e o quanto isso agregou no seu conhecimento?
Eu amei conhecer o mundo zooplanctônicos, conheci na minha iniciação científica e com esse conhecimento pude estagiar em uma empresa que fazia monitoramento do Rio São Francisco. Com isso pude conhecer mais diversidade de zooplâncton e ainda agregar experiência de estágio em empresa fora da universidade. Além disso, por conta de conhecer o zooplâncton, consegui adentrar na linha de pesquisa que atuo desde o mestrado que é a interação de anfíbios com o zooplâncton vivente nos tanques das bromélias.

O que te fez mudar de entomologia (graduação) para herpetofauna (mestrado)?
Eu sempre gostei dos répteis (anfíbios nem tanto, o amor a estes veio só depois da graduação), então comecei a graduação com esse interesse. Porém, no campus em que trabalhei não havia professor especialista na área. Após eu pegar a disciplina Entomologia eu passei a conhecer os insetos e me apaixonei. Minha decisão em trabalhar com esse grupo veio após eu achar um inseto da ordem Neuroptera dentro da minha casa. Aquilo me encantou e fiz meu TCC com esse grupo. Após isso conheci um professor em outra universidade que trabalhava com herpetologia. Conversamos sobre um futuro projeto de mestrado e vi a oportunidade de juntar meu conhecimento de zooplâncton com a herpetologia que eu tanto amava. Assim, deixei de lado a entomologia e voltei para essas outras duas áreas para trabalhar com abordagem mais ecológica.

Qual o maior desafio que enfrentou na graduação e/ou nas pós Stricto sensu?
Creio que o maior desafio foi encontrar meios para ir a congressos e fazer network. Como venho de família pobre e minha universidade dificilmente pagava alguma despesa, sem dúvida ir para congressos e aulas de campo era um desafio. Na pós-graduação foi mais o fato de conseguir acompanhar os professores no sentido intelectual. A ecologia que tive na graduação foi defasada, então tive dificuldades no início.


Como conheceu e se tornou integrante do Projeto Bromeligenous?
Quando iniciei meu mestrado trabalhando com anuros e bromélias, conheci o projeto bromeligenous (atualmente Bromélias) pelas redes sociais. Quando me mudei para Goiânia para fazer meu doutorado, tive a ideia de ir fazer meu trabalho de campo na Mata Atlântica do ES, já que era lá que o projeto estava instalado. Entrei em contato com o coordenador do projeto. Nos conhecemos no Congresso de Herpetologia, o professor coordenador gostou bastante da minha ideia de pesquisa e estabelecemos uma relação de coorientação. Me mudei por um ano e meio para onde estava o projeto e foi uma experiência sem igual.

O que te inspira a conduzir atividades de difusão e popularização da ciência?
Desde a graduação quando trabalhava com insetos via a necessidade de divulgar a ciência para a população em geral. Precisamos, enquanto academia, nos aproximar da população para que ela entenda a importância da ciência para o mundo, bem como para que elas entendam o que de fato é a ciência e não caia em falácias, como pseudociência e notícias falsas. Além disso, ver e sentir o despertar de novos conhecimentos para a população em geral sobre algum tema em específico me acende uma chama de felicidade, é como se eu estivesse contribuindo concretamente para a melhoria do mundo.

Conte-nos sobre a experiência que mais te marcou até aqui.
Minha maior experiência foi um curso de ecologia de campo realizado pela UFJF. Fui selecionado para participar desse curso juntamente com outros alunos de pós do Brasil e da Alemanha. Além de passar 21 dias em parques de Minas Gerais e Rio de Janeiro conhecendo toda a diversidade que eu ainda não conhecia, tive a oportunidade de pensar em novos projetos e me comunicar em inglês o que me somou ainda mais na minha vida acadêmica. As pessoas que conheci e toda experiência que tive realizando trabalhos ecológicos durante aqueles dias me marcaram eternamente.

Interações • Comensalismo
Comensalismo é um tipo de interação que acontece entre duas espécies diferentes, mas não é uma interação que acontece em um prazo curto. Essa interação pode vir a perdurar por longos tempos sem que haja desvantagem para algumas das espécies. No comensalismo há o benefício para uma espécie, sem que a outra tenha um efeito tanto positivo quanto negativo, o comensalismo é um exemplo de interação interespecífica. Podemos citar como exemplo de interação do comensalismo a rêmora (peixe da família Echenidae) e o tubarão, onde a rêmora se fixa no corpo do tubarão por meio das suas ventosas para se alimentar dos restos de comida que o tubarão deixa escapar enquanto se alimenta.

Natu 33 • 16/12/2022 • Cerambicídeos • Redação • Direção: Rodrigo Viana; Conteúdo: Henrique Alexandre; Lívia Malatrasi, Rebeka Câmara; Fotografias: Alan Araújo (Arquivo pessoal).

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