Natu 24


Espécie • João-bobo (Chresta sphaerocephala
João-bobo é uma bela planta pertencente à família botânica Asteraceae. É uma espécie herbácea ou arbustiva, perene, pode atingir de 1-2 metros de altura, suas folhas são alternas, sua inflorescência é singela. É uma planta nativa e endêmica do Brasil. Ocorre no Cerrado e Mata Atlântica, especialmente na Bahia, Goiás, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo e Paraná, nas fitofisionomias de Cerradão, cerrado (stricto sensu), campo sujo, campo rupestre (stricto sensu). Suas inflorescências de cor roxa, embelezam as paisagens do Cerrado de março a outubro, são polinizadas por abelhas e suas sementes podem ser dispersas pelo vento. A planta dispõe de grande potencial ornamental, mas também é utilizada na medicina por possuir atividades antioxidantes presentes em seu caule e folhas. Atualmente sua população está em declínio, devido ao incêndios nas regiões de ocorrência. 




Na trilha • Cor de roupas para trabalhos em Campo
Um estudo realizado por biólogos dos Estados Unidos, demonstrou que a cor da roupa de ecoturistas pode afetar o comportamento de animais silvestres. Isso vale como dica, principalmente, para pesquisadores de campo, por isso, é preciso ter cuidado na escolha de sua vestimenta para estar trabalhando na natureza. É certo de que isso pode variar com o seu propósito em campo. Se seu objetivo for observar espécies, por exemplo, a escolha de cores como verde, marrom ou camuflado vai te ajudar a ter mais sucesso. Roupas que contrastam o ambiente – amarelo, branco, laranja, rosa, roxo, vermelho, etc. – podem afugentar os animais, como aves, mamíferos e répteis. Por isso, antes de sair para o seu trabalho de campo, reveja esses conceitos para ter êxito em suas coletas de dados e pesquisas. 








Entrevista • As experiências do Biólogo Andrei Guedes 
Biólogo graduado pelas Faculdades Integradas do Tapajós - FIT e Mestre em Zoologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS. Atualmente doutorando do Programa de Pós-Graduação em Zoologia da Universidade de Brasília (UnB). Trabalhou como biólogo no Centro Tecnológico de Engenharia Ltda., onde desenvolveu as atividades de Gerenciamento Ambiental e Coordenação Técnica de Estudos e Projetos Ambientais com ênfase em empreendimentos de geração e transmissão de energia elétrica. Atua também como Consultor Ambiental na área de Meio Ambiente. Tem experiência nas áreas de Licenciamento Ambiental e Zoologia, atuando principalmente nos seguintes temas: Herpetofauna, Taxonomia, Morfologia e Monitoramento Ambiental.




Poderia nos contar um pouco sobre o seu trabalho no Centro Tecnológico de Engenharia Ltda?
Centro Tecnológico de Engenharia Ltda... Vou chamar de CTE, ok?

Foi um período de quase 10 anos com muitos aprendizados. Até então nunca tinha trabalhado com consultoria ambiental.

Meu primeiro contato com a CTE foi por meio de um colega, também biólogo de mestrado láááá pelo idos de 2004 que já fazia algumas consultorias para a CTE, inclusive esse colega, hoje grande amigo e professor da PUC GO, é o grande culpado de eu estar por aqui no Centro Oeste hoje em dia (rsrsrs). Ele sempre falava de resgate de fauna e eu sempre falava para chamar quando tivesse um.

Depois do mestrado fui para o Rio de Janeiro e um belo dia, em 2006, esse meu amigo me ligou perguntando se gostaria de participar de um resgate de fauna, então topei na hora!!

Foi meu primeiro trabalho em consultoria ambiental. Fazer o resgate de Fauna do Reservatório da Hidrelétrica UHE Espora na cidade de Aporé, Sudoeste de Goiás. Fui para ficar 45 dias... Fiquei 90.

Depois do resgate voltei para o Rio de Janeiro e um ano depois em 2007 recebi o convite da CTE para voltar para “O Goiás”, mas dessa vez como contratado da empresa para o cargo de gerente ambiental para acompanhar o período de construção de uma Hidrelétrica, a PCH São Domingos 2, na cidade de São Domingos, interior de Goiás. Aliás, para quem gosta de cachoeiras e cavernas é uma excelente opção de passeio. São Domingos é famosa pela caverna Terra Ronca, localizada dentro de uma Unidade de Conservação – Parque Estadual de Terra Ronca.

Nesse período de construção da PCH de mais ou menos 2 anos (2007 a 2009), acompanhei de perto todas as frentes de trabalho, discutia junto com os engenheiros da construtora as melhores maneiras de mitigar os impactos ambientais para a construção da PCH, como por exemplo: a abertura de novas vias de acessos para o transporte de matérias, supressão da vegetação para abertura de novas frentes de trabalho (nenhuma intervenção ambiental era realizada sem meu conhecimento e aval) e acompanhamento direto das equipes de biólogos que realizavam o monitoramento ambiental para o período de implantação de PCH, a chamada fase de LI (Licença de Instalação dentro do processo de licenciamento ambiental).

Foi nesse período também que aprendi como se fazia um monitoramento ambiental, tanto para o meio biótico (fauna, flora, hidrologia) como também para a Socioeconômica (visita a proprietários atingidos pelo reservatório, educação ambiental, comunicação social etc.).

Hoje em dia conheço todas as metodologias de monitoramento dos vários grupos taxonômicos (aves, peixes, mamíferos, herpetologia (claro), qualidade da água)), bem como para o meio social, mas na hora das identificações em se tratando de fauna (outros grupos) e flora... deixo para os especialistas (rsrsrsr).

Depois de encerrado as obras da PCH São Domingos 2, ainda fiquei em São Domingos até 2010 acompanhando o monitoramento pós-enchimento, sendo depois transferido para a cidade de Unaí, Noroeste de Minas Gerais, bem perto (160 km) de Brasília, para fazer o mesmo trabalho em outra Hidrelétrica, a PCH Unaí Baixo, mas dessa vez com um pequeno diferencial: Já estava bem mais amadurecido profissionalmente. Em Unaí também tive a oportunidade de ter novas experiências principalmente com tratativas junto a órgãos ambientais, neste caso a Superintendência Regional de Meio Ambiente Noroeste de Minas Gerais (Supran Nor).

Tanto na PCH São domingos 2 como na PCH Unaí Baixo, supervisionei a construção de suas respectivas linhas de transmissão, um desafio que também me enriqueceu bastante profissionalmente. Mas confesso! A Linha de Transmissão não é tão emocionante como a construção de uma Usina Hidrelétrica.

Depois de estar diretamente no front fui transferido para o escritório da CTE onde participei da equipe de estudos e projetos ambientais da empresa na Coordenação de Estudos de Impacto Ambiental (EIA), Relatório Ambiental Simplificado (RAS) e coordenação dos estudos de pós-enchimento na fase de LO (Licença de Operação) a fim de cumprir as condicionantes da licença de operação da PCH Unaí Baixo. Neste período, o contato com os órgãos ambientais licenciadores e com empreendedores me deram mais um Upgrade dentro do escopo da consultoria ambiental, mas dessa vez na parte de coordenação dos estudos técnicos desenvolvido pela CTE na época.

Tive a oportunidade de voltar a PCH São Domingos 2 ano passado, mas dessa vez com consultor ambiental da herpetofauna por uma empresa aqui de Brasília. Foi muito bom poder voltar a PCH depois de, acho que 10 anos. Passou um filme. Tive a impressão de ver novamente o tráfego de caminhões e máquinas, pessoas trabalhando e eu andando por ali.

É muito gratificante voltar em um local onde você ajudou a construir e ver em pleno funcionamento, ainda mais uma obra de grande importância, haja em vista a grande necessidade da energia elétrica para mover tudo em nossas vidas e principalmente cumprido as condicionantes ambientais de sua licença de operação.

Quais foram seus maiores obstáculos nesse período?
Tive alguns, mas sem dúvida foi chegar sem experiência para ser o responsável em conduzir, em uma obra tão complexa, como deveriam ser mitigados os impactos ambientais durante a construção. Neste sentido tive muita ajuda do meu supervisor que ficava no escritório em Goiânia.

Imagine o engenheiro de campo responsável chegar para você e falar: Andrei, precisamos começar a obra de construção da Casa de Força (local onde é gerada a energia), preciso que você libere a construção ou preciso abrir um acesso para máquinas e caminhões e vamos precisar desmatar um trecho. Para quem não tem experiência na área é assustador!!!

Outro desafio era a visão de alguns engenheiros e colaboradores da construtora. Viam o meio ambiente sem importância na construção da hidrelétrica. Queriam fazer as coisas “nas coxas”. Não queriam seguir as condicionantes ambientais... era complicado!!

Mas tinha uma saída... Era só falar aos engenheiros e colaboradores de que se não cumprissem as condicionantes ambientais o Ministério Público e Órgão Ambiental embargariam a obra e aplicariam uma multa astronômica. Aí o povo tirava até leite de pedra se precisasse (rsrsrs).

Mas de fato, em uma obra, qualquer que seja ela, tendo passado por um processo de licenciamento ambiental na esfera Estadual e/ou Federal e com intervenções no meio ambiente em que haja condicionantes ambientais e se essas condicionantes não forem cumpridas, a obra está passível de embargo, multa e até cassação da Licença Ambiental, que para reverter dá muito trabalho.

Em se tratando de conservação da herpetofauna, quais são suas maiores dificuldades?
Sem dúvidas é a perda da paisagem natural que o Cerrado vem sofrendo ao longo dos anos e consequentemente perda de hábitats para as espécies.

Quando se fala em conservação independente do grupo que se estuda é complicado. Todos sabemos o que deve ser feito, mas na realidade poucas são as ações que fazemos para se conservar e que muitas vezes param em determinados setores, quer sejam da sociedade, que sejam dos órgãos governamentais responsáveis.

O Cerrado é o segundo maior Bioma do Brasil, mas apenas 8% de sua área está protegida: 3,2% em forma de Unidades de Conservação de Proteção Integral e 5,2% com Unidades de Conservação de Uso Sustentável. Hoje o Cerrado sofre com a perda de sua paisagem natural

principalmente para o agronegócio, sendo que 44% de sua área já foi transformada e esses dados tendem sempre a aumentar.

Muitas vezes nos deparamos com espécies novas ou raras no campo, trazemos conhecimentos sobre as espécies, onde ocorrem, seu modo reprodutivo etc., mas sozinhos não podemos fazer muita coisa. Somente dizer quem é, onde encontramos e como se reproduz não é o suficiente. O ideal é que se crie políticas governamentais melhores, que facilite e não prejudiquem a criação de novas Unidades de Conservação, principalmente as de Proteção Integral para o Cerrado.

Em um artigo recentemente publicado os autores sugerem duas opções para a conservação do Cerrado e por conseguinte para as espécies não somente da herpetofauna, mas também para as de outros grupos zoológicos que também sofrem com a perda de hábitat.

Em locais que apresentem mais cobertura vegetal natural, o ideal seria a proposição da criação de novas áreas de proteção, ao paço que em áreas com perda da cobertura vegetal natural já avançada o ideal seria promover a regeneração natural o que implica em custos para os proprietários das áreas e criação de reservas particulares, as RPPNs, que são importantes para a manutenção da conservação da biodiversidade.

Dessa forma vejo que seria possível pensarmos, isto é, se der tempo, haja vista a velocidade de perda de vegetação natural que o Cerrado vem passando, não somente pelo desmatamento, mas também pelo fogo criminoso, uso indiscriminados de defensivos agrícolas nas plantações que contaminam a água e o solo, podemos pensar na proteção da biodiversidade do Cerrado.

Poderia nos falar um pouco dos seus projetos ambientais?
No momento tenho como projeto de doutoramento determinar o atual padrão de distribuição e riqueza das espécies de anfíbios do Cerrado, ou seja, verificar quantas e como as espécies de anfíbios estão distribuídas no Cerrado. Dando um Spoiler, uma vez que são dados ainda não publicados, temos atualmente 251 espécies de anfíbios para o Cerrado com 52% dessas espécies sendo endêmicas restritas.

A ideia é continuar trabalhando com a diversidade de anfíbios após o doutorado, pois ainda se tem muita coisa a ser estudada. Fazer um guia para as espécies com informações taxonômicas e de história natural está nos planos também e claro, fazer uma consultoria aqui e outra ali, porque campo é tudo de bom (rsrsrs).


Conte-nos sobre seu projeto de pesquisa atual: Ecologia, taxonomia e conservação da herpetofauna nas paisagens do Cerrado.
Hoje em dia não somente o Cerrado, mas todos os biomas do Brasil vêm sofrendo com a transformação rápida da paisagem principalmente com o agronegócio.

Para algumas espécies da herpetofauna (serpentes, lagartos, anfisbenas e anfíbios) os padrões ecológicos e taxonômicos já estão bem definidos o que ajuda na proposição de medidas de conservação, sendo que para outras espécies essas informações são escassas ou até mesmo inexistentes impedido o conhecimento e proposição de tais medidas.

Objetivo principal deste projeto é colher dados sobre as espécies da herpetofauna do Cerrado e gerar informações sobre como estas espécies estão se comportando frente às mudanças ambientais provocadas pelo desmatamento e as mudanças climáticas, além da realização de amostragem em áreas pouco ou sem nenhum inventário taxonômico.

O Cerrado é um dos biomas mais estudados, mas mesmo com seu atual conhecimento ainda se tem muitas áreas a serem amostras que consequentemente poderão gerar novidades, principalmente ao nível de espécies ainda desconhecidas.

No período de 2012 até junho de 2021, somente para anfíbios foram descritas 38 espécies novas para várias localidades do Cerrado e este número tende a aumentar com ao longo dos anos com a descrição de novas espécies.

Desta forma, gerando mais conhecimento sobre as espécies do Cerrado, poderemos ter subsídios para propor estratégias conservacionistas, uma vez que apesar de todo o avanço do agronegócio no Cerrado, ainda existem áreas relevantes para a conservação com um conjunto biótico único.

Por que se interessar pela herpetofauna do Cerrado?
Sou paraense, nascido e criado no coração do maior Bioma do Brasil, a Amazônia, mas quis o destino, pelo menos até agora, que não trabalhasse na Amazônia. Já passei pelo Pampa e Mata Atlântica, mas nunca como pesquisador.

Quando mudei para o Centro Oeste comecei a ver o quão magnífico era o Cerrado. Lembrando que não vim para o Cerrado como herpetólogo, mas como biólogo para acompanhar a construção de uma Hidrelétrica.

O Cerrado é considerado um hotspot de diversidade, possuindo características singulares, tanto para a flora com várias fitofisionomias, como para a fauna, o que lhe confere alto número de endemismo de espécies e quem não gostaria de trabalhar em um local assim?

O Cerrado tem uma beleza cênica fantástica e uma herpetofauna magnífica. Assim como a biologia, penso que não escolhi trabalhar no Cerrado e sim fui escolhido.

Parafraseando e adaptando a letra de uma música de uma dupla sertaneja (não lembro o nome agora): é aqui que ando é aqui que eu quero ficar.

Qual a importância de um inventário taxonômico?
Inventário taxonômico é o levantamento das espécies de animais e vegetais de uma determinada região a curto, médio, e longo prazo, mas independente do tempo que passamos estudando determinada região, nunca encontramos o número exato de espécies que vivem ali.

Inventário taxonômico tem sua importância no sentido de dar subsídios ao conhecimento das espécies que vivem em determinada região, que muitas vezes são desconhecidas da ciência. Várias espécies novas são descritas a partir da realização de inventários taxonômicos.

Vivemos em um país com uma diversidade gigantesca, com muitas espécies conhecidas e muitas ainda a se conhecer. Muito se fala em conservação de espécies, mas o que é necessário para se proteger uma espécie? É conhecer seu “nome” (quem é), “sua casa” (distribuição geográfica) e “sua história de vida” (o que come, como se reproduz etc.), certo? É a partir do inventário taxonômico que podemos descobrir todas essas informações respondendo à pergunta principal: Quais são as espécies que vivem ali?

Por que trabalhar com consultoria ambiental?
Sabe, o trabalho com consultoria ambiental é muito bom, seu escritório é no mato (rsrsrs).

Vejo a consultoria como mais uma opção de atuação do biólogo, porém é um mercado muito “prostituto” nunca querem te pagar como tem que ser pago e sempre tem alguém para fazer.

Na consultoria ambiental você tem a oportunidade de conhecer vários locais, que muitas vezes ainda não se tem um inventário taxonômico, aí é um parque de diversões para um biólogo treinado. Digo treinado no sentido de conhecer também a taxonomia do grupo em que trabalha. Por exemplo, para o biólogo não treinado, um sapinho pode ser mais um espécime para ser registrado para aquela região, mas para o treinador aquele sapinho que é muito parecido com um que ocorre na região pode ser uma espécie ainda não descrita. Conhecer seu grupo taxonômico é fundamental na consultoria ambiental.

Conheço algumas espécies novas que foram descritas a partir de inventários taxonômicos realizados por meio de consultoria ambiental.

O lado triste da consultoria é que por motivos de cláusulas contratuais no sentido de direitos autorais, muitos dados de anos de monitoramento, por exemplo, são engavetados e não são aproveitados cientificamente. Tais dados renderiam com certezas ótimas dissertações de mestrados e teses de doutorados.

O que te fez escolher a herpetofauna?
"Répteis" sempre me chamaram a atenção principalmente as serpentes!

Sou de Santarém, no Pará e formei em uma faculdade privada, chamada Faculdades Integradas do Tapajós – FIT, hoje Unama. Nessa época (final dos anos 90 e início dos 2000) a região de Santarém era muito carente de pesquisa, os únicos centros de pesquisa na região eram o INPA em Manaus e o Museu Emílio Goeldi em Belém.

No primeiro ano da faculdade, em 1997 teve uma breve apresentação na sala de aula de um pesquisador do Museu Emílio Goeldi, um herpetólogo, até então eu nem sabia o que era herpetologia (rsrsrs). Ele se apresentou e falou um pouco sobre taxonomia e nos apresentou uma tal Chave de Identificação de Espécies... Caramba... O que é isso??????

No mesmo ano, em outubro, houve a semana acadêmica da faculdade com a oferta de um minicurso chamado Introdução à Herpetologia com Ênfase nos Squamatas Amazônicos ministrado pelo mesmo pesquisador, o professor Rubens Nobuo Yuki, um nissei que mais tarde se tornaria um orientador, um grande amigo... um pai!

Durante o minicurso descobri o que era herpetologia e o que estudava e aquilo que me chamava a atenção passou a ser o que eu queria estudar, sendo fortalecido ainda mais no final do curso com a notícia que o professor Rubens Yuki estava sendo contratado como professor da faculdade onde formei.

O professor Rubens chegou em 1998 em Santarém e fui estagiário do seu laboratório durante toda a graduação de 1998 a 2000. Como estagiário juntamente com outros colegas ajudamos a montar o Laboratório que foi batizado como LPHA, Linda de Pesquisa em Herpetologia da Amazônia, íamos para o campo e começamos a montar uma Coleção Herpetológica de Referência para a Região de Santarém. Fui auxiliar de curadoria onde aprendi como funciona e se mantém uma coleção científica além de sua importância para a pesquisa. Paralelamente a essa função me aventurava na pesquisa com meu projeto de iniciação científica com sistemática e taxonomia de Philodryas olfersii (popularmente conhecida como cobra-cipó-verde), uma serpente Sul América, que continuei até o Mestrado.

Foi assim desta maneira que me tornei herpetólogo. Uma vontade de estudar um grupo bastante mistificado que se tornou verdade com a chegada de um pesquisador na faculdade que formei. Infelizmente o Professor Rubens Yuki nos deixou de forma trágica em 2016.

Hoje em dia, Santarém é um grande centro de pesquisa com a criação da Universidade Federal do Oeste do Pará – UFOPA que tem em seu quadro docente vários pesquisadores em diversas áreas do conhecimento, bem diferente de 24 anos atrás.

Me considero, com toda a modéstia e humildade (rsrsrsr), juntamente com outros colegas e com o Professor Yuki, um pioneiro da pesquisa na região de Santarém.

Na sua opinião, qual o ponto mais importante do seu trabalho?
Independentemente, seja como consultoria ou pesquisa acadêmica, o ponto mais importante é produzir conhecimento e repassar para outras pessoas. De que vale você aprender algo e não repassar aos outros? Meu orientador da graduação me falava isso: Ciência é conhecimento e conhecimento se passa aos outros.

Somente com a produção e repasse de conhecimento independentemente da grande área de estudo podemos propor medidas para melhorar algo, um software, um dispositivo eletrônico, na agricultura e pecuária e até mesmo na criação de novas unidades de conservação e por conseguinte na preservação de espécies.



Lab • Métodos parasitológicos aplicados à saúde humana e animal 
Animais silvestres são hospedeiros de parasitos, em especial, os intestinais que podem agir de maneira oportunista causando certa morbidade para os animais, seja de vida livre ou de cativeiro. Mesmo diante da escassez de pesquisas realizadas nessa linha, especialmente com tamanduás-bandeira, por exemplo, os parasitos mais comuns encontrados são os protozoários como a Giardia e amebas. Vale ressaltar que, o fato da atividade alimentar dos tamanduás ser diretamente com o solo, é uma das justificativas para a presença de tais patógenos. Estudos parasitológicos com fauna silvestres são de extrema importância, pois além de afetar a longevidade e qualidade de vida dos animais, são também de potencial zoonótico e que necessitam de equilíbrio para que não tenha reflexos negativos à saúde humana. 


Uma das técnicas utilizadas para detecção de protozoários como as Giardia, é o exame de fezes, por métodos de sedimentação e flutuação, que podem ser detectados cistos e trofozoítos de Giardia. A técnica de sedimentação, age da seguinte forma: os organismos são sedimentados por centrifugação ou gravidade, deixando os cistos ou ovos, por exemplo, retidos no fundo do cálice. Já a técnica de flutuação, esses resíduos ficarão suspensos na superfície. As técnicas de sedimentação mais utilizadas são: Lutz (água corrente); - Hoffman, Pons & Janer (HPJ) (água corrente); Ritchie (formalina – éter); Blagg (mertiolato - iodo – formaldeído) (MIF). Sendo os dois primeiros também chamados de sedimentação espontânea. 

Vamos precisar de vidrarias como cálice, bastão de vidro, copo descartável, amostra fecal, água, gaze ou peneira, pipeta Pasteur, lâmina, lamínula e microscópio. Em um copo descartável é preciso colocar a amostra das fezes com água e homogeneizar com o bastão de vidro. No cálice, acrescente certa quantidade de água e coloque a amostra já na gaze com cerca de 4 dobras. Após esse processo, deixe em repouso por cerca de 60 minutos (lembrando que essa técnica é utilizada para diversos parasitos, portanto, o tempo pode variar). Descarte o sobrenadante e com cuidado colete o sedimento no fundo do cálice, coloque cerca de duas gotas em uma lâmina, cubra com lamínula e leve ao microscópio. 

A sedimentação espontânea é a técnica mais utilizada nos serviços de saúde, pois possui baixo custo, melhor observação dos parasitos – o que facilita na identificação das espécies e de mais fácil execução.
6. Nossos Resíduos • Selos de empresas amigas do meio ambiente 
O Projeto de Lei nº 42/2021, cria os selos “Empresa Amiga do Meio Ambiente”. Faz parte da categoria a aplicabilidade de programas que envolvem eficiência energética, o uso de energias renováveis, a promoção de campanhas de educação ambiental, plantio de árvores em praças, ruas, avenidas e demais espaços públicos, a promoção, limpeza e manutenção de áreas públicas municipais, a redução da emissão de poluentes atmosféricos e também o apoio e qualquer tipo de parcerias em projetos ambientais com o poder público. 

O projeto também se encarrega de trazer obrigações mínimas das empresas que desejarem ter o reconhecimento público por tal atividade, que por sua vez, possui validade anual e que necessita ser avaliada por equipe capacitada da Secretaria de Meio Ambiente e Zeladoria que poderá contar ainda com importante apoio e auxílio do COMDEMA (Conselho Municipal de Defesa ao Meio Ambiente). Para a criação do selo, o projeto propõe a realização de concurso cultural.

Natu 24 • 03/2022 • João-bobo (Chresta sphaerocephala) • Redação • Direção: Nathália Araújo; Conteúdo: Amanda Costa; Rodrigo Jose, Victórya Januzzi. Fotografias: Andrei Guedes; Vladimir Barovic; Science Photo Library.

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