Incêndios Florestais no Brasil

Amanda Costa / Fotografias do Acervo Instituto Jurumi
No ano de 2020, provavelmente mais do que em outros, os incêndios florestais no Brasil estiveram em evidência. Alguns dos nossos maiores ecossistemas sofreram grandes perdas em área e em biodiversidade. Ver de perto o aumento das queimadas, ou melhor, a persistência delas, nos faz questionar os motivos, as origens e as consequências desses incêndios nos nossos biomas.

Entender se, de fato, em 2020, as queimadas aumentaram é uma questão complexa. Isso porque não existe uma resposta coerente se não forem feitas comparações entre os mesmos períodos. Aqui no Brasil, o órgão responsável por este monitoramento e divulgação dos dados é o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE. No site deles, é possível identificar, por exemplo, que os focos de incêndio na Amazônia aumentaram 28% entre julho de 2019 e julho de 2020. As queimadas da Amazônia, em outubro de 2020, já ultrapassavam o total registrado durante todo o ano de 2019.

No Pantanal, foi registrado o maior número de focos de queimadas desde 1998, ano em que o INPE começou a registrar esse tipo de estatística. Em setembro de 2020, já eram mais de 7 mil focos de incêndio, um recorde para este bioma. De acordo com o monitoramento do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais (Lasa), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Pantanal já teve, apenas no ano passado, 30% de seu território consumido pelo fogo.

Além da Amazônia e Pantanal, infelizmente, outros biomas nacionais também sofrem com as queimadas. No Cerrado, o segundo maior bioma brasileiro, em 2020, apesar de ter havido uma redução em relação ao ano anterior de área queimada, ainda foram perdidos 139.644 km2 de território, representando 6,9% da extensão territorial do bioma. Na Caatinga, também foi observado uma redução nas áreas queimadas em 2020 em relação a 2019, sendo destruídos no ano passado 30.453 km2 de área, o que significa 3,6% de seu território, enquanto em 2019 foram queimados 55.184 km2 dessa região.
A principal causa dos incêndios florestais no Brasil continua sendo a pressão agropecuária sobre as terras. O fator climático, especificamente o clima seco, também tem grande relevância na problemática das queimadas, e as mudanças climáticas podem ter relação à medida que intensificam as condições de seca. Entretanto, a grande quantidade de focos de incêndio no Brasil não pode ser creditada apenas ao clima. No Pantanal, o fogo é característico da região nos meses secos, por volta do mês de setembro, que antecede o período chuvoso. No entanto, a presença humana provoca fontes de ignição que muitas vezes saem de controle, motivadas especialmente pela queima proposital para limpeza e apropriação dos terrenos para criação de pastos e lavouras. Essa situação também é vista no Cerrado, bioma que tem focos de incêndio todos os anos.
 
"Incêndios florestais também provocam aumento da poluição do ar, de problemas respiratórios e até mesmo a intensificação do fenômeno do efeito estufa."

O desmatamento proveniente das queimadas resulta em diferentes danos ao meio ambiente, como o empobrecimento dos solos e favorecimento de sua degradação, perda do equilíbrio dos ecossistemas e da biodiversidade - colocando em risco a continuidade de muitas espécies. A diminuição das florestas causa a perda de habitat, redução do alimento disponível, como também, as queimadas provocam diretamente o aumento do número de mortes dos animais. Espécies já ameaçadas de extinção ficam em maior perigo devido ao fogo, é o caso da arara-azul e também do tamanduá-bandeira, que sofre ameaça pela perda de habitat e sendo vítima de queimaduras.

Os incêndios florestais também provocam aumento da poluição do ar, de problemas respiratórios e até mesmo a intensificação do fenômeno do efeito estufa. Os poluentes podem ainda viajar longas distâncias e causar efeitos negativos na qualidade do meio e na saúde pública em locais bem distantes da sua origem. O turismo, importante atividade econômica no Pantanal e Amazônia, também é afetado pela crise ambiental nessas regiões.

Dessa forma, muitas são as consequências das queimadas florestais e, apesar do fogo ser um fenômeno natural em muitos ecossistemas, as interferências humanas têm mais uma vez afetado o equilíbrio da natureza.

 LEIA MAIS  Para saber mais acesse o site do INPE e também do Lasa UFRJ
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