Encontro de Zoologia Médica

Por Nathália Araújo

A Zoologia Médica pode ser oferecida como especialização em algumas Instituições de Ensino Superior do Brasil e dependendo do curso, também pode aparecer como uma disciplina integrante da grade curricular, mas isso não é comum. Em geral, ela vem inserida em outras disciplinas, apenas como um tópico da aula de Zoologia. E você sabe o porquê desse nome? Como o próprio termo diz, é o estudo de animais vertebrados e invertebrados que possuem peçonhas, podendo de alguma maneira causar acidentes de interesse médico. Além disso, aborda a ecologia e epidemiologia das doenças relacionadas a estes animais. Inclusive, os acidentes podem ser fatais, se não tratados com a devida importância. 

No Brasil, segundo o boletim epidemiológico de 2019 do Ministério da Saúde, os acidentes são em geral, ocorridos em ambiente de trabalho (AT) localizados no campo, na água e nas florestas. Fazem parte das maiores causas de morbimortalidade em todo mundo. Isso se refere ao índice de pessoas que morrem em consequência de uma determinada doença em um grupos específicos. A Organização Mundial de Saúde - OMS, incluiu há mais de 10 anos, esses acidentes no grupo das Doenças Tropicais Negligenciadas - DTNs. Inclusive, o acidentes ofídicos - aqueles causados por serpentes - foram incluídos na Lista de Notificação Compulsória do Brasil devido ao elevado número de casos, e precisam ser notificados ao governo federal, assim que confirmado.

Com foco no Brasil, os animais que mais causam esses acidentes de trabalho (AT), estão as serpentes, escorpiões e aranhas. Nos últimos 13 anos foram notificados cerca de 95.205 AT com animais peçonhentos.

Os casos de envenenamentos por serpentes chegam a 29 mil por ano. Os gêneros responsáveis por esse elevado número de casos começa com a Bothrops - o grupo das jararacas, Crotalus - o grupo das cascavéis, Lachesis - as temidas surucucus e as cobras corais da família Elapidae. Importante registrar que isso pode variar dependendo da região de ocorrência (Os dados podem sofrer alterações de acordo com os anos de registro e região). 


Já os escorpiões apontam cerca de 69.036 casos. Os principais escorpiões de importância médica no Brasil, são do gênero Tityus. Em especial espécies como Tityus serrulatus, responsável por acidentes de maior gravidade, T. bahiensis e T. stigmurus.

As aranhas ocupam o terceiro lugar, não menos importantes, chegam a 27.125 casos de ocorrências anuais. Os gêneros de importância médica no Brasil são: Phoneutria, a famosa aranha-armadeira que possuem ação neurotóxica, Loxosceles, a aranha-violinista conhecida por uma picada necrosante e Latrodectus, viúvas-negras famosa por praticar o canibalismo após a cópula.

No Sistema Único de Saúde - SUS, a vigilância é feita por uma ficha de coleta de dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Lá também é abordado um campo específico para identificação da relação com trabalho, que facilita para a gestão desse agravo. Infelizmente, a real amplitude dos AT com animais peçonhentos ainda é desconhecida, devido à subnotificação. 


Essa é uma área que possui vasta relevância de estudo e necessita de pessoas empenhadas para contribuir com esses dados importantes, não só para a saúde pública como para o conhecimento, monitoramento e conservação desses animais silvestres.

O Encontro de Zoologia Médica - EZM é um evento gratuito e virtual com o intuito de levar mais conhecimento, informar pessoas, desvendar preconceitos para com estes animais, além de conscientizar sobre esse tipo de impacto na saúde pública. Para estudantes, amantes da zoologia médica e animais peçonhentos: temos um encontro marcado com profissionais que trabalham nesse campo diverso e ainda misterioso da ciência, para desvendar preconceitos, esclarecer dúvidas e levar informações às pessoas. O Encontro está marcado para o dia 12 de novembro, às 14h. Não perca!

 LEIA MAIS  sugestões de artigos científicos:

SOARES, Frandison Gean Souza; SACHETT, Jacqueline de Almeida Gonçalves. Caracterização dos acidentes com animais peçonhentos: as particularidades do interior do Amazonas1. Scientia Amazônia, v. 8, n. 3, 2019.

PARISE, Vendrame. Vigilância e monitoramento dos acidentes por animais peçonhentos no município de Palmas, Tocantins, Brasil. Hygeia-Revista Brasileira de Geografia Médica e da Saúde, v. 12, n. 22, p. 72-87, 2016.

LOPES, Aline Barbosa et al. Perfil Epidemiológico Dos Acidentes Por Animais Peçonhentos Na Região Norte Entre Os Anos De 2012 E 2015. Revista de Patologia do Tocantins, v. 4, n. 2, p. 36-40, 2017.

SILVA, Juliana Herrero et al. Perfil epidemiológico dos acidentes com animais peçonhentos em Tangará da Serra-MT, Brasil (2007-2016). J. Health NPEPS, p. 5-15, 2017.

MACHADO, Claudio. Um panorama dos acidentes por animais peçonhentos no Brasil. Journal Health NPEPS, v. 1, n. 1, p. 1-3, 2016.

MATIAS DIAS, Carlos et al. Boletim Epidemiológico Observações: Vol. 8 (2019), Número Especial 11, Políticas de Saúde. Boletim Epidemiológico Observações, v. 8, p. 1-88, 2019.

Boletim epidemiológico 11 da Secretaria de Vigilância em Saúde | Ministério da Saúde, Volume 50, Mar. 2019. Disponível em: Boletim epidemiológico acesso: 29/10/2020.

Sistema de Informação de Agravos de Notificação - SINAN com Última atualização em Terça, 16 de Abril de 2019, 17h23 - Acidentes por animais peçonhentos, disponível em: Acidente por Animais Peçonhentos acesso: 29/10/2020.

Comentários

  1. Parabéns! Amei foi muito importante para aprimorar os meus conhecimentos.

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