A Caatinga e as Mudanças Climáticas


Por que o bioma Caatinga será o mais afetado pelas mudanças climáticas? 
Há quem acredite que as alterações do clima e o aquecimento global são um exagero dos ambientalistas. No entanto, predomina na ciência a visão de que esses fenômenos estão de fato acontecendo e causados por atividades humanas. Mas, como os impactos das alterações climáticas podem afetar tanto a Caatinga?

Mudanças Climáticas são alterações do clima da Terra ao longo do tempo, ou seja, mudanças na temperatura global e taxas de precipitação, por exemplo, em relação a médias históricas. Por sua vez, o aquecimento global é o processo de aumento da temperatura média dos oceanos e da atmosfera, provocado pela intensificação do efeito estufa.

Na verdade, o efeito estufa é um fenômeno natural que, inclusive, permite manter a temperatura do planeta em níveis viáveis para sobrevivência humana. O processo ocorre da seguinte maneira: na atmosfera estão presentes gases como o gás carbônico, o vapor d’água e o metano, os quais têm a capacidade de reter parte das radiações solares na atmosfera mantendo, assim, a Terra com a temperatura adequada.

No entanto, o acréscimo na atmosfera de gases do efeito estufa, principalmente por atividades humanas, tem aumentado a quantidade de calor retido na atmosfera ocasionando o aquecimento global. Então qual o “tamanho” do problema?


Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas
Dados do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC em sua siga no inglês), gerido pela Organização das Nações Unidas (ONU), afirmam que a temperatura global aumentou aproximadamente em 1 °C em relação aos níveis pré-industriais e a previsão é que chegue a 1,5 °C entre 2030 e 2052 se continuar a aumentar na taxa atual. Mas o que 0,5 °C a mais pode causar no planeta? Infelizmente as previsões não são boas.

O aumento de temperatura contribui com as mudanças climáticas, causando eventos ambientais extremos. Isso significa extremos quentes na maioria das regiões habitadas, grandes incêndios, precipitações intensas em alguns locais, ao contrário de outros que podem apresentar secas severas. É o caso da região semiárida brasileira. Relatório do IPCC afirmou que esta região será a mais afetada pelas mudanças climáticas na América Latina.
Diminuição na frequência de chuvas, empobrecimento dos solos por causa da erosão e secas mais prolongadas; intensificação do processo de desertificação e consequente aumento da pobreza e migração. Esses são os potenciais impactos que as mudanças climáticas podem causar no semiárido brasileiro, segundo o Ministério do Meio Ambiente em sua publicação “Mudanças Climáticas e suas Implicações para o Nordeste”.

Caatinga, bioma do Brasil
E inserido no contexto semiárido, está o bioma Caatinga, único que é exclusivamente brasileiro, ou seja, todo seu patrimônio ambiental pertence exclusivamente ao nosso território. Mas, o cenário de mudanças climáticas constitui mais uma grande pressão sobre esta vegetação.

O clima predominante na Caatinga já apresenta um elevado déficit hídrico: a taxa de precipitação/evapotranspiração é menor que 0,65 e a temperatura média varia de 25 ° a 30°C ao longo do ano; a maior parte da região recebe cerca de 600 mm a 1000 mm de chuva por ano, mas o período chuvoso está concentrado em 3 meses consecutivos e secas prolongadas são frequentes, segundo informações do Instituto Nacional do Semiárido. Os impactos das mudanças climáticas podem intensificar esse processo impondo condições mais severas para a Caatinga e a população que a habita.



Então, medidas adaptativas, as quais já são realidade na região por suas características naturais, são importantes para o enfrentamento desse cenário. A ONU afirma que o processo de adaptação ao clima e aos efeitos reais e esperado pode diminuir ou evitar os danos. Na Caatinga, pode inclusive contribuir para o aumento da sustentabilidade local.

Tecnologias sociais são estratégias que ajudam na adaptação ao clima. Essas são técnicas, instrumentos, tecnologias aplicadas e desenvolvidas em interação com as comunidades locais, cumprindo a função social de inclusão e melhoria da qualidade de vida, tudo a ver com a sustentabilidade! Exemplos de tecnologias sociais de adaptação à seca são as cisternas, barragens, poços.

Nossas ações e escolhas contribuem para o processo de mudanças climáticas, porém, somos nós que temos a responsabilidade de mudar essa realidade com novas atitudes. Portanto, além das medidas adaptativas, que podemos contribuir e apoiar, uma nova consciência também é necessária para proteger nosso patrimônio socioambiental.

Por Amanda Rodrigues Santos Costa

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