Trilhas: conservação e cuidados

Nathália Araújo, Redação Natu













Quantas vezes na vida - numa viagem, num encontro, num dia cheio no trabalho e a vontade de voltar logo para casa e até mesmo nos dias de aguardo de uma data tão esperada - não conseguimos enxergar a beleza que há no contemplar o caminho. Segundo o dicionário Michaelis, o caminho significa: “distância ou espaço que se percorre para chegar a determinado lugar; itinerário, percurso, rota, trajeto”. Trilhar é justamente aprender a valorizar esse caminho que será percorrido. Independente da dificuldade e/ou tempo da trilha, ela irá te proporcionar superação dos obstáculos e de suas capacidades, concentração física e mental, aprendizado e autoconhecimento, além de uma série de boas sensações, como sentir o cheiro dos óleos essenciais liberados pelas plantas, o cheiro da terra molhada na estação chuvosa, ao ver o mudar da luz no passar das horas, ao contemplar o som dos animais e das árvores balançando com a brisa… sem contar do silêncio que também vale muito. Trilhar te permite se reencontrar consigo, se conectar com a natureza, conhecer locais e pessoas incríveis, além de conhecer para conservar nossa natureza. Com esse exercício, seremos capazes de valorizar a rota necessária a percorrer, lembrando que o mais importante não é a partida ou a chegada, e sim o caminho. 

Para a realização dessa prática, existem alguns cuidados que precisam de máxima atenção. 

Estar em boa condição, como ter dormido bem na noite anterior, e que seus sentidos estejam prontos para vivenciar tal atividade. É preciso conhecer o local ou ir com alguém que já conheça. Em geral, áreas destinadas às trilhas são bem sinalizadas, portanto, obedeça às sinalizações e terá uma ótima experiência. Em tempos de tecnologia de ponta como hoje, é válido o uso de mapas no smartphone. Uma dica bem legal é o Avenza Maps, ele foi sonhado para campo e é possível usá-lo sem conexão com a internet, assim você estará quase pronto para percorrer com responsabilidade sua trilha.

É importante o uso de roupas adequadas como: camisa de manga comprida, calça com tecido mais grosso (jeans), meias e sapatos fechados e confortáveis. Independente do horário, é fundamental o uso de chapéu, boné ou qualquer objeto que possa proteger do sol intenso sobre a cabeça. Se for à noite, lembre-se da lanterna com a bateria recarregada ou pilhas extras. O uso de filtro ou protetor solar é essencial, assim como, repelente para evitar quaisquer problemas relacionados a alergias devido à picada de insetos (lembre-se que é necessário aplicar minutos antes de entrar em exposição). O item água não pode faltar, evite ficar desidratado e leve água à vontade. Quanto à alimentação, siga com alimentos saudáveis como pães, frutas e cereais. 

Guarde e leve o lixo com você. Não jogue descartáveis e nenhum outro material no meio ambiente, bem como, resto de alimentos ou cascas de frutas. Os animais silvestres possuem uma alimentação diferente da nossa, não é necessário deixar um lanchinho para eles. Não é recomendado a degustação de frutas silvestres, lembre-se que pode haver espécies vegetais venenosas que podem causar desde um leve desconforto até complicações mais graves. Se avistar algum animal, tire fotos de longe e mantenha uma distância de segurança. Lembre-se, de que você está no habitat natural dele, assim evitará acidentes com você e com o animal.



Divulgue aos seus conhecidos sua experiência e fale da importância de conservar tal natureza. Quando saímos de casa para entrar em contato com a natureza, saiba que o respeito é um dos primeiros valores que devemos levar. Com isso, seremos capazes de vivenciar essa atividade com o cuidado necessário conosco e com o meio ambiente.

Existem algumas atividades feitas nas trilhas que podem contribuir para a conservação da natureza, veja alguns exemplos a seguir!

Registros selvagens 
Quando planejamos realizar uma trilha, em geral, levamos na mochila um conjunto de utensílios, materiais e equipamentos que possivelmente vamos utilizar no campo. É importante estar sempre preparado à experiência que busca e aos possíveis imprevistos que podem ocorrer pelo caminho. Esteja portando consigo uma câmera fotográfica ou qualquer equipamento que possa registrar um momento selvagem. E como seria esse momento selvagem? Por entre os caminhos, é possível encontrar vestígios como pegadas, fezes, penas, pelos, tocas de animais, assim como, pequenos invertebrados, belas flores e frutos, além de majestosas árvores formando paisagens. Inspire-se no céu azul ou nas nuvens que compõem o nublado do dia e faça boas fotografias. Lembre-se: tão importante quanto o registro selvagem que você fez é saber divulgar com responsabilidade esse material para que isso gere nas pessoas o hábito de admirar, querer bem e conservar esse local tão importante para nós quanto à conservação da biodiversidade, que são as Florestas, Parques Ecológicos e Unidades de Conservação.



Observação de aves
A observação de aves, seja na cidade, na floresta ou numa trilha, é uma atividade recreativa também reconhecida como ciência cidadã. As observações podem ser feitas a olho nu ou portando binóculos e câmera fotográficas, além disso, é possível a identificação por audição para os mais experientes. As aves já registradas no bioma Cerrado chegam a 864 espécies, no entanto, a taxa de endemismo é bastante baixa, apenas 3,4%. Por isso praticar essa atividade para conhecer esse grupo, por vezes tão colorido, importante e diversificado pode ser muito interessante. Além de tudo a observação de aves é considerada uma atividade de baixo impacto ambiental, pois não necessita de veículos, o que acaba diminuindo a poluição sonora e emissão de gases.

Sinalização de trilhas (rede de trilhas) 
Você conhece a Rede Nacional de Trilhas de Longo Curso e Conectividade ou simplesmente Rede de Trilhas? O Manual é responsável pela identificação visual que deve ser observada em todas as trilhas. Há cerca de quinze tipos de sinalização em trilhas, dentre elas a sinalização de entrada de trilha que devem ser bilíngues (português e inglês) e conter informações gerais do percurso como: duração, distância, nível de exigência física, atrativos ao longo do percurso, informações de segurança, uma lista de contatos (administração da unidade, bombeiro, polícia, SAMU, etc.). Há também a sinalização educativa/regulatória que serve para estimular um determinado comportamento ao visitante. Mas, como assim? Ela pode informar um perigo, por exemplo, então o objetivo é induzir alguma conduta ou estabelecer a proibição de algumas ações. As informações educativa/regulatória devem ser passada com o uso de pictogramas padronizados de interpretação universal e com frases curtas e diretas, evitando-se textos longos. Para a realização da sinalização, é preciso seguir uma padronização nacional, mas possibilitando a identificação local, respeitando e valorizando as particularidades de cada parque e unidade de conservação. Parques federais, estaduais e municipais da Rede Trilhas devem receber essa sinalização padronizada. São mais de 18 mil km de caminhos que serão conectados nos próximos anos. A promoção da conservação da biodiversidade também é uma ideia dessa rede de trilhas de longo curso.

Trilha inclusiva: um banho de floresta ao alcance de todos 
Você já ouviu falar em Trilhas Inclusivas? Pois bem, acredite… essa prática já é existente, tanto no Brasil como no exterior. É um avanço incrível da acessibilidade e muito justa às pessoas e à natureza, diante da imensidão verde e das águas cristalinas, da diversidade de espécies vegetais e animais que ocorrem nos ecossistemas terrestres e aquáticos. Além disso, essa prática pode ser utilizada como estratégia para a conservação da natureza. É um processo que vem sendo implantado aos poucos, e tem dado certo. É possível encontrar trilhas inclusivas para deficientes ou pessoas com mobilidade reduzida em várias Unidades de Conservação do Brasil. 

Manejo de fauna e os mecanismos de defesa animal 
Você já ouviu falar em manejo? De acordo com o dicionário Michaelis é o ato ou efeito de manejar; maneio, manuseio. Mas por que falar disso? É comum as pessoas encontrarem animais nas trilhas e querer pegar nas mãos, principalmente, para fotografar. Essa prática é expressamente desaconselhável. Tire fotografias à vontade, mas respeite o limite de segurança, entre você e os animais. Primeiro, existe um grande risco de transmitir vírus, parasitas, fungos, protozoários ou bactérias que são nocivas aos humanos ou que podem ser fatais para os animais. Além disso, alguns agentes etiológicos de zoonoses podem estar presentes no animal, sendo assim, há chances de sermos veículos de doenças com significativo impacto na saúde pública. Segundo, estressar o animal desnecessariamente e causar reações adversas. Alguns animais possuem mecanismos de defesa contra o predador que são verdadeiras obras da natureza. Portanto, cuidado. 

Ecoturismo: instrumento de conservação à natureza
Surgido na década de 1970, também chamado de turismo ecológico, o ecoturismo é uma atividade turística feita na natureza e de maneira sustentável, ou seja, sem que haja danos ou comprometa os recursos naturais das regiões visitadas. O ecoturismo é uma prática capaz de promover a educação ambiental e conservação da natureza, pois gera interação social-cultural-ambiental. Dentro dessa prática existe uma apresentação do meio ambiente aos visitantes. É uma visita guiada, incluindo trilhas, banhos de cachoeiras, mergulhos, observação de fauna (comportamento e habitat) e flora (distribuição de espécies, bioma, etc.), além de explorar no sentido de descobrir a área, os recursos naturais e o céu. 

Safáris fotográficos no Brasil 
Safári é uma expedição para observação não só de animais silvestres de grande porte, mas também para descobrir a beleza das paisagens naturais de determinada região. Engana-se quem pensa que é necessário viajar para a África para participar de um safári. O Brasil é dotado de uma rara beleza natural e de uma diversidade animal e vegetal de encher os olhos, além disso, possui duas regiões denominadas de hotspot, ou seja, com elevada biodiversidade e riquezas naturais, são os biomas do Cerrado e Mata Atlântica. Sem contar com a Amazônia, Caatinga, Pampas e Pantanal.  Somos privilegiados por tanta beleza. O safári fotográfico consiste em registrar essas experiências, fotografar e/ou filmar o local, os animais, as plantas e paisagens naturais. Em geral, esse passeio é feito em carros como caminhonetes abertas e adaptadas para essa atividade ou em plataformas flutuantes. Já o horário depende da atração do local. Para garantir o avistamento de grande parte dos animais, a realização da atividade é feita ao amanhecer e/ou anoitecer, pois é o horário de intensa atividade entre eles. Esse tipo de expedição pode contar com profissionais e pessoas que trabalham pela conservação das espécies e da natureza, sendo assim, é catalogada como uma atividade de educação ambiental.

Siga as instruções e pegadas e boa trilha!

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